25

às vezes apetece-me chorar, mas não sou capaz.

há na tua boca um certo sabor a sombras

um pequeno pavio de penumbra

 

que escurece a alma

de todos os que a beijam

a sorte é seres suficientemente feia

para ninguém te beijar

um plano inclinado sensações sabores ajoelhados
sinusóides de emoções hipérboles excessos abusos
ângulos a tender para o infinito e teoremas obtusos
movimentos de corpos fricções e sonhos mareados

ondas opostos de costas elipses poemas de mel
curvas sórdidas rectas obscenas delírios medidos
altiva dependência do desejo delíquio dos sentidos
a inércia que se segue um mas tem que ser camel

funções três dimensões eixos gráficos hipnóticos
de regresso aos limites axiomas doces derivadas
integrar as mãos os lábios e os olhos neuróticos

a correlação o comprimento palavras e coordenadas
um sorriso e os valores esperados nos deltas eróticos
o inverso e o simétrico também verdades imaculadas.

 

10-3-2003

UMA CANÇÃO DE BEBER

O VINHO entra, é pela boca
E o amor entra pelo olhar;
É quanto temos por certo
Até crescer e expirar.
Elevo a minha taça à boca,
Olho-te, para suspirar

 

W. B. Yeats

para ser poeta ou escritor

é  preciso testar e experimentar

e a mim não me é permitido

nada disso, mas vou tentando

na mesma. como os burros.

[Ivan Ramos]

 

Dois amigos encontram-se:
– Então, estás melhor?
– Estou na mesma.
– Foste ao consultório que te indiquei?
– Fui.
– E o médico, acertou com o que tinhas?
– Quase… Eu tinha 100 euros, ele levou-me 90…