As coisas

Há em todas as coisas uma mais-que-coisa

fitando-nos como se dissesse: “Sou eu”,

algo que já lá não está ou se perdeu

antes da coisa, e essa perda é que é a coisa.

 

Em certas tardes altas, absolutas,

quando o mundo por fim nos recebe

como se também nós fôssemos mundo,

a nossa própria ausência é uma coisa.

 

Então acorda a casa e os livros imaginam-nos

do tamanho da sua solidão.

Também nós um dia tivemos um nome

mas, se alguma vez o ouvimos, não o reconhecemos.

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