nas mãos de um poeta
os pinheiros crescem
lenta, mas infinitamente,
até ao azul, observados
do chão pelos olhos,
atentos, das mãos.
numa gruta
de lona e ferro,
observa-se
os pardais
lá no topo
enquanto
se ama.

Cantinho Digital
nas mãos de um poeta
os pinheiros crescem
lenta, mas infinitamente,
até ao azul, observados
do chão pelos olhos,
atentos, das mãos.
numa gruta
de lona e ferro,
observa-se
os pardais
lá no topo
enquanto
se ama.
e a luce passou para a frente…
Há em todas as coisas uma mais-que-coisa
fitando-nos como se dissesse: “Sou eu”,
algo que já lá não está ou se perdeu
antes da coisa, e essa perda é que é a coisa.
Em certas tardes altas, absolutas,
quando o mundo por fim nos recebe
como se também nós fôssemos mundo,
a nossa própria ausência é uma coisa.
Então acorda a casa e os livros imaginam-nos
do tamanho da sua solidão.
Também nós um dia tivemos um nome
mas, se alguma vez o ouvimos, não o reconhecemos.
alguma espuma teima
em espraiar-se
apesar de estar já morta
a areia dourada
escapa-se das mãos
de um poeta
como o mar
se escapa da pele
a ponta acesa
de um cigarro
rola ao vento
como lume
a nascer do chão
bela imagem
apesar do frio
sinto
que poderia
escrever para sempre, mas
não vou maçar, vou antes dormir
duvido que o Aleixo soubesse
o que é
uma aliteração
tenho areia entre os dentes
e punhais de palavras no peito